No Festival Portugal em Cena 2025, duas artistas alagoanas ganham os holofotes com propostas que unem sustentabilidade, ancestralidade e design autoral. As idealizadoras das marcas Belie e Shia não apenas criam moda — elas constroem narrativas sensoriais que conectam o corpo ao território, à memória e à natureza.

À frente da marca Beliê, a artista Ariane transforma materiais orgânicos em joias que são verdadeiras obras de arte. Suas criações combinam cerâmica e madeira com bordados em ponto cruz, técnica tradicionalmente associada ao universo têxtil, mas que aqui ganha nova vida sobre superfícies rígidas. O resultado são peças que evocam afetos e um olhar delicado sobre o fazer manual. Cada joia é produzida artesanalmente, em pequena escala, com foco na sustentabilidade e na valorização do trabalho local.

A frente da Shiá, Shirley, por sua vez, desenvolve um trabalho profundamente enraizado no território da Barra de São Miguel. Sua marca cria acessórios e peças de vestuário a partir da técnica de macramê e do uso de conchas de ostras coletadas pelas marisqueiras da comunidade da Palateia. O que seria resíduo da pesca artesanal se transforma, em suas mãos, em adornos poéticos que celebram a força do feminino e a beleza do litoral alagoano.
Mais do que matéria-prima, as conchas carregam histórias de trabalho, resistência e saberes tradicionais. Shirley incorpora esses elementos em colares, brincos e aplicações têxteis, respeitando os ciclos naturais e promovendo uma cadeia produtiva justa e colaborativa com as marisqueiras locais.
A participação das empreendedoras no festival não apenas amplia a visibilidade de seus trabalhos, mas também inspira novas gerações a repensarem a forma como se relacionam com o vestir. No palco do Portugal em Cena, suas obras ganham o mundo, reafirmando que o futuro da moda passa, necessariamente, por mãos que respeitam o tempo, o território e a memória.







